Para a Civil, jovem morto em perseguição em Siderópolis com a PM foi executado

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil realizou a reconstituição de um crime que ocorreu na noite de 8 de março, no trecho da SC-445 mais conhecido como "serrinha", em Siderópolis. Na ocasião, o metalúrgicoDenis Aderbal Gomes, de 21 anos, foi morto com quatro disparos de arma de fogo em um suposto enfrentamento com a Polícia Militar (PM) de Criciúma.

O caso está sendo investigado pelo delegado José Tadeu Vargas. Ele lembra que, naquela ocasião, os dois policiais militares envolvidos no caso alegaram que avistaram um veículo em Criciúma e o motorista desobedeceu a ordem de parada. Durante a perseguição até Siderópolis, ele teria efetuado tiros contra a viatura policial, os quais foram revidados. Na sequência, ele teria perdido o controle da direção, saído do veículo e disparado novamente contra a PM, o que exigiu mais tiros dos policiais.

Inclusive, essa versão dos fatos foi repassada pela Polícia Militar de Criciúma e divulgada pelo Portal Engeplus no dia seguinte. No entanto, foi instaurado um inquérito policial para apurar os fatos e, ainda durante a investigação, segundo Vargas, as informações apontam para outra versão. "O que ocorreu foi uma execução. Temos várias evidências para isso. A vítima nem estava armada, a arma encontrada foi plantada no local", revela o delegado. Trata-se de uma garrucha calibre 22 de dois canos.

Foi realizado um exame residográfico no cadáver, a fim de verificar se havia resíduos de pólvora nas mãos do jovem, mas isso não foi encontrado. Também não foram encontrados os cartuchos vazios dos projéteis que o atingiram. "Verificamos imagens gravadas próximas do local e desde o início suspeitei que ele havia sido modificado. Sai um cartucho da arma para cada disparo que é efetuado, mas não encontramos nenhum cartucho no local, o que mostra que houve alteração na cena do crime", aponta Vargas.

O jovem foi atingido no rosto e tórax por quatro disparos de uma pistola calibre .40, os quais, conforme comprovado em exame balístico, partiram de uma única arma. Com 30 anos e 29 anos, os dois policiais militares foram detidos dias depois do fato e permaneceram presos no 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Criciúma. Um deles usa o direito de permanecer calado e falar somente em juízo; ele permanece detido há mais de dois meses. Já o outro confessou detalhes daquela noite em depoimento, tem colaborado com a investigação e participou da reconstituição de hoje; ele aguarda o processo em liberdade.

O carro dirigido pela vítima foi usado na reconstituição. Também participaram da ação de hoje agentes da Polícia Civil de Siderópolis e profissionais do Instituto Geral de Perícias (IGP). Agora, o delegado aguarda o laudo da reconstituição para possivelmente concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.

"Foram feitos exames no corpo, no veículo, no local e encontramos projéteis em todos eles. Até usamos um equipamento de última geração para detectar metais e foram localizados projéteis em um barranco próximo da porta do motorista, o que aponta que ele foi executado fora do carro, mesmo já tendo sido ferido dentro do veículo. É uma investigação bem complexa há dois meses, com objetivo de apontar o verdadeiro responsável por essa morte e a real participação de cada policial", conclui Vargas. Ele acredita que a vítima fugiu da PM porque não possuía carteira de habilitação.

 

Texto: Vanessa Amando  /  Foto: Polícia Civil Siderópolis