Caso de injúria racial contra imigrante está em investigação em Siderópolis

A Polícia Civil de Siderópolis abriu investigação sobre um possível caso de ameaça e agressões a um imigrante haitiano empregado em uma empresa de Criciúma, mas que reside no município. Um Boletim de Ocorrência (BO) foi confeccionado na tarde de sexta-feira, seguido de um exame de corpo de delito.
O jovem, de 28 anos, trabalha como ajudante de pedreiro há um ano na empresa. O caso veio à tona após ele procurar uma unidade de saúde para tratar ferimentos causados por uma possível agressão no ambiente de trabalho, no início desta semana.

A enfermeira que o atendeu encaminhou o relato ao Movimento de Conscientização Negra Cruz e Souza, que incentivou o imigrante a denunciar a situação. Segundo a representante da entidade, Eliana dos Santos, os maus-tratos iniciaram em agosto do último ano.

“Ele está com as costas inchadas devido uma pedrada que recebeu de um encarregado. Além disso, ele disse que são constantes as agressões físicas, como tapas na cabeça e empurrões, mais agressões verbais de xenofobia e racismo”, relata.

Em razão de a empresa ser sediada em Criciúma, a investigação será encaminhada à 2ª Delegacia de Polícia do município após a conclusão do laudo de corpo de delito, previsto para o próximo dia 18.

O responsável pela delegacia de Siderópolis, agente Frank Willy Vieira, afirma que o acusado poderá responder por injúria qualificada por motivo racial, lesão corporal e ameaça, somando cinco anos e seis meses de prisão. 

“Isso foi um fato esporádico. Em três anos que eu estou aqui, nunca tinha ouvido falar de situação semelhante”, frisa.
O trabalhador ressaltou que outros imigrantes também são alvos de agressões físicas e ofensas de cunho racista do mesmo encarregado, mas não denunciam por temer perder o emprego.
Na manhã de sexta-feira, Eliana se reuniu com representantes da empresa, que se comprometeram a conversar com os demais funcionários para averiguar o caso.

Texto: Gabriel Bosa