Trabalhadores das empresas de Criciúma e região iniciaram paralisação nesta segunda

03/06/2014 19:17

Trabalhadores de empresas do transporte coletivo público e privado da região de Criciúma estão em greve. A decisão foi tomada no início da noite desta segunda-feira, em assembleia da categoria. Um comando de greve também foi formado para representar os interesses dos profissionais com as empresas, já que a paralisação não conta com a representação formal do sindicato dos trabalhadores.

Na tarde de hoje, por volta das 14h10min, eles realizaram uma manifestação no Terminal Central da cidade, em seguida foram até o Palácio do Estado, onde está localizada a Justiça do Trabalho, e, na sequência, voltaram ao terminal, onde pararam a circulação dos ônibus. Centenas de pessoas aguardaram no terminal e arredores pelo retorno do serviço, o que não aconteceu. No fim da tarde, os veículos foram tirados de circulação e levados para as garagens das empresas. Os três terminais - Pinheirinho, Centro e Próspera - ficaram vazios.

Após a manifestação - a qual contou com a presença da Polícia Militar, Guarda Municipal e uma equipe de segurança privada -, já na assembleia, por volta das 17h30min, os trabalhadores votaram pela continuação do movimento, dessa vez em forma de greve. Os funcionários da Expresso Forquilhinha já estavam em estado de greve desde a última terça-feira, quando rejeitaram uma segunda proposta da empresa.

A categoria reivindica, principalmente, reajuste de 15% no salário de todos os trabalhadores - não somente motoristas e cobradores -, extinção do banco de horas, aumento no vale-alimentação para R$ 350, além de nenhuma demissão de funcionário por conta da greve. "Se houver demissões, vamos fazer assembleia novamente e a greve vai continuar", ressaltou um dos membros do comando de greve, Maurício Meira.

O movimento não foi organizado pelo sindicato que os representa, no caso, o Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas e Passageiros de Criciúma e Região. De acordo com o advogado escolhido para defender o comando de greve, Francisco Carlos Balthazar, existem muitas divergências entre o que os trabalhadores desejam e o que o sindicato realmente defende. Além disso, segundo Balthazar, o Ministério Público já apura irregularidades em torno da diretoria do sindicato. Por esses e outros motivos, os trabalhadores optaram por manter a greve e escolher um grupo de pessoas que os representará em possíveis negociações com as empresas.

Legitimidade da assembleia e da greve - A Justiça suspendeu o edital de convocação para a assembleia desta segunda-feira por entender que havia irregularidades nele. Por conta disso, a empresa Expresso Forquilhinha emitiu o seguinte comunicado na noite de hoje:

COMUNICADO

O GRUPO FORQUILHINHA comunica a seus colaboradores que, tendo em vista a decisão judicial proferida em data de 02/06/2014, que suspendeu a Assembleia da Categoria, a decisão da Greve é ILEGAL, por falta de legitimidade daqueles que assim decidiram.

Portanto, os colaboradores que faltarem ao trabalho terão os dias descontados, além de outras medidas cabíveis.

A Direção

 

Texto: Vanessa Amando  /  Foto: Vanessa Amando