Recuperação ambiental em Siderópolis

02/12/2014 21:51

Um projeto pioneiro no âmbito do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e que conta com o acompanhamento simultâneo do Ministério Público Federal busca revitalizar 1.200 hectares de áreas degradas pela exploração de carvão a céu aberto e minas subterrâneas na região de Criciúma. 

A iniciativa é parte do cumprimento de sentença judicial que imputou à União o dever de recuperar áreas degradadas de empresas mineradoras falidas.

Até 2020, serão investidos cerca de R$ 350 milhões em obras de drenagem, terraplanagem, isolamento de rejeitos e reflorestamento com o plantio de espécies nativas da Mata Atlântica.

Os primeiros resultados do trabalho já começaram a aparecer.  Neste mês de dezembro 42 hectares de uma área denominada de Siderópolis, serão entregues recuperados.

A segunda área chamada Ex-Patrimônio, de sete hectares, também nesta cidade, já conta com máquinas trabalhando na terraplanagem. E outra área de 120 hectares, chamada Rio Pio, próximo a cidade de Treviso, está em processo de licitação para escolha da empresa responsável pelas obras de revitalização.

O diretor-presidente da CPRM, Manoel Barretto, explica que o trabalho da CPRM  faz parte de uma  determinação do   Ministério de Minas e Energia, que encarregou à instituição de coordenar a recuperação ambiental de áreas degradadas da Bacia Carbonífera de Santa Catarina que estão sob a responsabilidade da União.

“A CPRM elaborou o diagnóstico e os projetos executivos das áreas impactadas, além de promover licitação para contratação de empresas especializadas em obras de engenharia e remodelamento topográfico para isolamento de rejeitos das antigas lavras”, diz Barretto.

Ele afirma que a CPRM vai monitorar todas as áreas que forem revitalizadas para evitar degradação ou ocupação irregular do solo por um período de cinco anos. 

“Estamos entregando para a comunidade uma de área de 42 hectares que acabamos de revitalizar. No local foram plantadas 16 mil mudas de espécies nativas na Mata Atlântica”, diz o diretor-presidente.

O Procurador da República em Criciúma, Darlan Airton Dias, avalia que a iniciativa representa um marco histórico por ser a primeira obra de recuperação ambiental de áreas degradas pela mineração executada pela União.

“Graças ao trabalho coordenado pela CPRM hoje nós temos a primeira área recuperada e o compromisso do governo federal de recuperar todas as áreas que estão sob sua responsabilidade até 2020.” Dias acredita que o trabalho está ajudando a despertar na população a consciência de se preservar o meio ambiente.

“Essa região sofreu muito durante um século de exploração de carvão sem nenhum cuidado ambiental. Muita gente era cética, não acreditava ser possível recuperar essas áreas que foram degradadas. Hoje esse ceticismo dá lugar à esperança, ainda mais agora observando esse local próximo a cidade todo revitalizado”, ressalta Dias, que visitou a área Beluno juntamente com a equipe da CPRM.

Segundo o geólogo da CPRM Irineu Capeletti, responsável desde o início pela elaboração dos Planos de Recuperação Ambiental de Áreas Degradadas (PRADs)  e por acompanhar a execução das obras de recuperação ambiental em Santa Catarina, a revitalização da área Belluno começou em junho de 2013 com a remoção da vegetação, remodelamento topográfico para isolamento de rejeitos da antiga lavra que impactavam os recursos hídricos da região.

“Aparentemente poder-se-ia considerar uma obra comum, com grandes movimentações de material, no entanto, ela contempla a particularidade de ter o caráter ambiental e os cuidados e as especificações técnicas rigorosas com vistas a obter-se a aferição de parâmetros de monitoramento da qualidade ambiental da área”, explica o geólogo. 

Essa mina a céu aberto foi explorada nas décadas 50 e 60 do século passado  e  o passivo ambiental compreendia rejeitos da lavra expostos à ação intempérica e lagoas de água ácida.

Capeletti reuniu-se com os proprietários de terras que fazem parte da Área Belluno para explicar a importância que eles têm nesse processo de recuperação ambiental.

“A União fez pesado investimento – cerca de R$ 6 milhões – e precisamos do apoio dos proprietários para ajudar a proteger essa área que acaba de ser recuperada”, destacou.

Ele esclareceu ainda que, no estrito cumprimento da lei ambiental (Código Florestal), foram delimitadas Áreas de Proteção Permanente (APP) para garantir que no futuro esses locais sejam protegidos de qualquer atividade predatória ao meio ambiente.

Comunidade aprova a iniciativa - proprietário de um terreno no local, Fábio Cesar Mathias, está consciente da importância da participação da comunidade nesse processo. 

Ele diz que houve uma valorização das propriedades que estão na localidade. “Vamos ajudar a CPRM nesse monitoramento porque o que foi feito aqui melhorou nossa qualidade de vida”, diz Mathias.

O prefeito de Siderópolis, Roni Remor, avalia que por ser uma área próxima ao centro do município ela poderá ser utilizada no futuro para expansão de conjuntos habitacionais.

“A tendência é que a cidade cresça nessa direção. E esse trabalho ajuda bastante o desenvolvimento da cidade.”

Inovação tecnológica - Capeletti  explica ainda que, em dois hectares  da área Belluno foi realizado um experimento que poderá  diminuir o custo   da recuperação ambiental nas demais áreas.

“Os insumos turfa e cama de aviário, que são tradicionalmente utilizados para remedição do solo, foram substituídos por um componente orgânico chamado BioHC. E os resultados foram animadores, além de poder reduzir em 40% os custos que foram estimados no projeto executivo para este item específico.”

Preservação dos Recursos hídricos – o geólogo da CPRM André Luis Invernizzi, que também atua no projeto, destaca que a iniciativa está ajudando a melhorar a qualidade da água na região.

Ele conta que nas cavas abandonadas formaram-se lagoas de água acida, nocivas para o consumo humano. Segundo ele, essa contaminação foi causada pelos rejeitos do carvão.  

“Estamos removendo os rejeitos próximos aos córregos e utilizando calcário para melhorar o pH das águas das lagoas. Além disso vamos monitorar  esse processo de recuperação dos recursos hídricos,  fazendo análises a cada seis meses  para ver como anda a qualidade da água.”