História: o túnel do desenvolvimento de Siderópolis

14/07/2014 20:17

Construído na década de 1940, o túnel contribuiu não só na questão econômica de Siderópolis, mas também na imigração e no turismo.

Repassar de geração em geração aquilo que a memória vai lembrando. É assim que é contada a história do túnel para a passagem de trem da Ferrovia Tereza Cristina (FTC). Ele está situado em Siderópolis e durante a construção pouca coisa foi registrada.

Construído em 1944, o túnel tem 388,45 metros de extensão. Ele foi construído quando a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se instalou na cidade, que até então se chamava Belluno. Como precisava de um meio para escoar o carvão mineral extraído, surgiu a ideia desta passagem subterrânea.

A empresa contratada para a construção da estrada de ferro e do túnel de Siderópolis foi a Sociedade Construtora e Importadora de Brasília Ltda (Socimbra). Como a Socimbra realizava obras no Rio Grande do Sul, foram de lá que vieram os empregados.

Em sua maioria, eram paulistas, mineiros e gaúchos sem família e sem um lugar fixo para viver. Muitos deles nem documentos tinham. Eles ficaram instalados em acampamentos próximos à obra.

Segundo um dos que trabalharam na construção do túnel, Alberto Brunel, já falecido, em entrevista concedida em 2001 para o historiador Rogério Dalsasso, os trabalhadores não eram bem vistos no município.

Por ter sotaque nordestino ou paulista, os operários eram vistos com desconfiança pelos colonos. Também deixavam os moradores com medo, pois aos sábados eles desciam para a cidade, bebiam e acabavam brigando.

Muitas lendas são ouvidas a respeito da construção do túnel. A maioria delas conta sobre mortes e aparições das almas dos que morreram. Na verdade, de acordo com Brunel, os únicos que morreram foram dois trabalhadores em um acidente na construção e um peão, que foi assassinado.

E quanto ao boato de que índios foram assassinados durante a limpeza da mata virgem ao redor do morro, Brunel acrescenta: “é tudo mentira, eu levei 50 dias cortando mata virgem e o único ser que encontrei foi um tatu”.

 

Cuidados com a preservação

Atualmente a linha férrea da FTC, referente ao ramal de Treviso, onde está situado o túnel, ainda é utilizado. Não se transportam mais passageiros, mas ainda é responsável pelo escoamento do carvão extraído no município.

De acordo com o supervisor da via permanente da FTC, Joel da Coregio, a drenagem da área do túnel é feita a cada cinco anos. Isso porque o local é muito úmido e a presença de água é bem constante.

Já a fixação da estrutura do túnel e a substituição dos trilhos são feitas aproximadamente a cada sete anos. Os dormentes, por serem de concreto, não são trocados e permanecem os mesmos.

Quando perguntado sobre o fato do túnel ser considerado um ponto turístico ele acha que isso é um ponto positivo tanto para o município quanto para a própria FTC. “É algo bom, pois esse túnel é uma obra de arte, não é mais feito hoje em dia”, disse da Coregio. Vale ressaltar que, em toda a estrada de ferro, esse é o único túnel que foi construído.

Fonte: PortalSatc  /  Fotos: Arlan Gonçalves

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