Esgoto escoa a céu aberto em Siderópolis

04/09/2014 21:13

Dejetos são drenados para valo, sem canalização, que corta mais de um quarteirão na Vila São Jorge

Parte da comunidade moradora da Vila São Jorge, em Siderópolis convive diariamente com os desconfortos que um esgoto a céu aberto pode trazer. Um valo, que antigamente era utilizado para drenar açudes, após a obra de saneamento básico, realizada pela Prefeitura Municipal, em parte da localidade, passou a ser o local de descarte dos dejetos que a rede de saneamento canaliza.

O valo fica localizado do lado direto da SC-445, sentido Criciúma/Siderópolis e pode ser visto por quem passa pela rodovia. Nos dias de chuva a água que escoa da parte mais alta da localidade sobrecarrega o valo e transborda. A mistura de água e dejetos escorre pela rua Albino Neoti, que é utilizada por várias famílias para acessar a SC-445, pegar o transporte escolar ou ônibus intermunicipal.

Quando o volume de chuva é grande a água também invade os terrenos dos moradores, que acumulam prejuízos nos vários anos que o problema perdura. “Na última chuva forte que teve nós perdemos todos os peixes dos três açudes que temos. Eles se contaminaram e morreram”, relata a agricultora, Rosane Nart Vitali.

Além dos prejuízos financeiros a preocupação com a saúde é outra situação que perturba os moradores. “Depois que a água baixa fica tudo na frente de casa. Não tem como a gente ter saúde. Quando vem sol o mau cheiro é insuportável e depois fica o lixo, os insetos e outros bichos”, ressalta Rosane.

Morador da Vila São Jorge desde que nasceu, Pedro Vitali Neto, com 56 anos de idade conta que o problema existe há, pelo menos, oito anos e até agora não conseguiu uma solução por parte do município. “Entra prefeito, sai prefeito a gente vai lá, traz eles aqui para ver a nossa situação, mas ninguém faz nada”, desabafa.

A família Pavan já perdeu três motores de comando de portão elétrico, que com a invasão da água acabam estragando. “É só dar uma chuvinha mais forte que alaga tudo. Esses dias eles deram uma arrumada e colocaram um dreno aqui na frente, mas já quebrou. Amenizou um pouco do problema, mas não adianta se não for feito o resto da drenagem e chover um pouco mais forte vai encher do mesmo jeito”, relata a agricultora, Valtair Pavan.

Com a chuva ocorrida nessa terça-feira, dia 2, o cercado construído próximo a residência, onde a criação de gado da família fica alagou. “É complicado, porque a gente só pode andar de bota, quando a rua enche as crianças tem que tirar os tênis e colocar o pé naquela sujeira”, complementa Valtair.

De acordo com a Prefeitura Municipal de Siderópolis a obra de canalização do restante da rede de esgoto já foi iniciada. “Foi feita uma caixa para receptação das drenagens interligando as duas passagens da rodovia SC-445. Também iremos iniciar a drenagem do lado direito no sentido Criciúma/Siderópolis, inclusive a tubulação já está no local", esclarece o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Dioni Burnagui.

Segundo os moradores os tubos para fazer a drenagem já estão na comunidade há meses, entretanto a execução dos serviços ainda não iniciou. “Dá até medo de alguém que não sabe vir meio rápido e bater nesses tubos, sem falar nos bichos que com todo esse tempo estão se escondendo ali”, destaca Valtair.

Apesar da caixa de receptação para esgoto ter sido feita, o valo ainda continua sendo um dos pontos de descarte de dejetos da rede de esgoto da localidade.

Fonte: Engeplus